top of page
Buscar

A Liderança DEShumanizada. Onde está a Generosidade?

  • conversasrsz
  • 31 de jan. de 2025
  • 3 min de leitura

Nos últimos anos, temos testemunhado uma crescente valorização da liderança humanizada no mundo corporativo. O foco em empatia, colaboração e bem-estar dos colaboradores tem se mostrado um caminho promissor para o sucesso das organizações. No entanto, será que essa busca por líderes mais humanos não estaria, paradoxalmente, desumanizando os próprios líderes?


A pressão por resultados gera ansiedade e pode chegar à exaustão emocional. Estresse e esgotamento físico resultantes de situações de trabalho desgastantes, que demandam muita competitividade ou responsabilidade, são alguns dos principais pontos que vêm desestabilizando a liderança nas organizações. Aqueles que estão em busca de projeção profissional, em sua maioria, são os que mais sofrem. Abraçam tudo, correm uma maratona para atingir os resultados, não só financeiros, mas de clima também.


A busca por uma liderança mais humana exige que os líderes desenvolvam habilidades como empatia, escuta ativa e inteligência emocional. No entanto, o acúmulo de trabalho e a pressão por resultados podem dificultar o desenvolvimento dessas habilidades, gerando frustração e desmotivação.


O que mais escuto nas empresas é que não há outra forma de fazer: ou é assim ou fica fora do jogo. Há um medo de estar fora, de não se adequar.  Será que não outro jeito mesmo? Inteligentes como somos, vamos continuar valorizando as posses em detrimento da saúde e da realização?


A provocação aqui é o quanto nós toleramos e ensinamos nossos superiores a lidar conosco desta forma. Muitas vezes, a demanda recebida pode ser por desconhecimento ou distância do dia a dia das operações. Aqueles que tomam decisões complexas estão com outras preocupações. Com certeza um demandante também está sendo demandado.


Além disso, a cultura de algumas empresas ainda valoriza o individualismo e a competição, o que dificulta a criação de um ambiente de colaboração e apoio mútuo entre os líderes.

Não há uma receita de sucesso, porém, para aqueles que precisam cuidar das suas equipes, lembrem-se de valorizar o que oferecem. Se a empresa oferece benefícios de bem-estar, é importante que você, como líder, reforce a importância. Se você acredita que a equipe precisa se desenvolver, não os tire de um treinamento para atender seu chamado, exceto se for realmente urgente.


Vejo programas de bem-estar sendo elaborados e oferecidos em muitas empresas, provavelmente por uma definição estratégica de cuidar bem dos colaboradores. A intenção é verdadeiramente boa. O curioso é que em muitos lugares, essas mesmas pessoas que oferecem esses programas acabam por demandar de forma altíssima a liderança para resultados, não respeitando horários, reunião após reunião e os próprios limites físicos e emocionais das suas pessoas.


Ocupação, pressão e a necessidade de reservar tempo para seu time podem até desumanizar os líderes.


No podcast "The Value of Generosity in Leadership", de dezembro de 2024 - McKinsey, o tema generosidade na liderança foi abordado como investimento que pode trazer benefícios abrangentes de mudar para uma mentalidade de abundância, em vez de escassez, perspectiva que vem se desenhando ao longo dos anos.


“Ser um estrategista e ter as respostas não é mais suficiente. Você não pode presumir que um líder que define uma direção será capaz de entregar o propósito, a estratégia e o valor de uma organização. Por isso, e porque uma média de 40% dos funcionários nos EUA estão se sentindo esgotados, as pessoas estão se sentindo desconectadas”, diz Dana Maor.


A generosidade pode estar em um feedback bem-feito e com boas intenções, na escuta para com a sua equipe, na orientação e no tempo de qualidade para reflexão em vez de ação constante. O grande desafio é migrar para esta cultura.


Isso significa compartilhar os recursos mais preciosos que você tem como líder — tempo, experiência e sabedoria — para promover uma cultura de colaboração, abertura, empoderamento e cuidado.


“O oposto de um líder generoso é um líder narcisista, que está focado em si mesmo. Líderes narcisistas não são tão eficazes quanto líderes que têm inteligência emocional aflorada, que são mais generosos e reconhecem que o desempenho da equipe é resultado de algo além deles mesmos. Mas, por uma razão ou outra, os líderes narcisistas continuam a subir ao topo”, diz Bryan Hancock.


E você, quando vai contratar ou promover alguém para um cargo de liderança, seleciona algum atributo que possa contribuir para essa mudança?



 
 
 

Comentários


bottom of page